"Understanding the Student with Asperger Syndrome: Guidelines for Teachers" by Karen Williams, 1995, FOCUS ON AUTISTIC BEHAVIOR, Vol. 10, No. 2, Copyright, June l995 by PRO-ED, Inc. Reprinted by permission.


Entendendo estudantes com a Síndrome de Asperger: Guia para professores

Do original: Understanding the student with Asperger Syndrome: Guidelines for Teachers

Autor: Karen Williams

- Universidade de Michigan - Hospital Psiquiátrico para Crianças e Adolescentes - em “Focus on Autistic Behavior”, vol 10, nr.2, 1995 Traduzido em 04.96



Crianças diagnosticadas com Síndrome de Asperger (AS) apresentam um desafio especial no sistema educacional. Vistos tipicamente como excêntricos e peculiares pelos colegas, suas habilidades sociais inatas freqüentemente as levam a ser feitas bode expiatório. Desajeitamento e interesse obsessivo em coisas obscuras contribuem para sua apresentação “ímpar”. Crianças com AS falham no entendimento das relações humanas e regras do convívio social; são ingênuos e eminentemente carentes de senso comum. Sua inflexibilidade e falta de habilidade para lidar com mudanças leva esses indivíduos a ser facilmente estressados e emocionalmente vulneráveis. Ao mesmo tempo, crianças com AS (na maioria rapazes) tem freqüentemente inteligência na média ou acima da média e tem memória privilegiada. Sua obsessão por tema único de interesse pode levar a grandes descobertas mais tarde na vida.

Síndrome de Asperger é considerada uma desordem no fim do espectro do autismo. Comparando indivíduos dentro desse espectro, Van Krevelen (citado em Wing, 1991) notou que crianças com autismo de baixa funcionalidade “vivem em seu próprio mundo”, enquanto que crianças com autismo de alta funcionalidade “vivem em nosso mundo, mas do seu próprio jeito” (pg.99).

Naturalmente, nem todas as crianças com AS são diferentes. Exatamente porque cada criança com AS tem sua própria personalidade, sintomas AS “típicos” se manifestam de formas específicas para cada indivíduo. Como resultado, não existe uma receita exata para abordagem em sala de aula que possa ser usada para todos os jovens com AS, da mesma forma que os métodos educacionais não atendem às necessidades de todas as crianças que não apresentam AS.

Abaixo estão descrições de sete características que definem a Síndrome de Asperger, seguidas de sugestões e estratégias de sala de aula para lidar com esses sintomas. (intervenções em sala de aula são ilustradas com exemplos de minha própria experiência lecionando na Escola de Psiquiatria do Centro Médico para Crianças e Adolescentes da Universidade de Michigan. Essas sugestões são oferecidas somente no sentido mais geral, e devem ser adequadas às necessidades únicas de cada estudante com AS.


Insistência em semelhanças

Crianças com AS são facilmente oprimidas pelas mínimas mudanças, altamente sensíveis a pressões do ambiente e às vezes atraídas por rituais. São ansiosos e tendem a temer obsessivamente quando não sabem o que esperar. Stress, fadiga e sobrecarga emocional facilmente os afeta.

Sugestões:


Dificuldades em interações sociais

Crianças com AS mostram-se inábeis para entender regras complexas de interação social; são ingênuas; são extremamente egocêntricas; podem não gostar de contatos físicos; fala nas pessoas em vez de para elas; não entende brincadeiras, ironias ou metáforas; usa tom de voz monótono ou estridente, não-natural; uso inapropriado de olhar fixo e linguagem corporal; são insensíveis e com o sentido do tato deficiente; interpretam errado as deixas sociais; não conseguem julgar as “distâncias sociais” exibindo pouca habilidade para iniciar e sustentar conversas; tem discurso bem desenvolvido mas comunicação pobre; são às vezes rotulados de “pequeno professor” porque seu estilo de falar é semelhante ao adulto e pedante; são facilmente passados para trás (não percebem que outros às vezes os roubam ou enganam); normalmente desejam ser parte do mundo social.

Sugestões


Gama restrita de interesses

Crianças com AS tem preocupações excêntricas ou ímpares, fixações intensas (às vezes colecionando obsessivamente coisas não-usuais). Eles tendem a “leitura” implacável nas áreas de interesse; perguntam insistentemente sobre seus interesses; tem dificuldades para ir avante com idéias; seguem as próprias inclinações, a despeito da demanda externa; às vezes recusam-se a aprender qualquer coisa fora do seu limitado campo de interesses.

Sugestões


Concentração fraca

Crianças com AS são freqüentemente desligadas, distraídas por estímulos internos; são muito desorganizados; tem dificuldade para sustentar o foco nas atividades de sala de aula (freqüentemente a atenção não é fraca, mas seu foco é “diferente”; os indivíduos com AS não conseguem filtrar o que é relevante [Happe, 1991], de modo que sua atenção é focada em estímulos irrelevantes); tendência a mergulhar num complexo mundo interno de uma maneira mais intensa que o típico “sonhar acordado” e tem dificuldade para aprender em situações de grupo.

Sugestões

Fraca coordenação motora

Crianças com AS são fisicamente desajeitadas e rudes; tem andar duro e desgracioso; são mal sucedidos em jogos envolvendo habilidades motoras; e experimentam déficit em motricidade fina que causa problemas de caligrafia, baixa velocidade de escrita e afeta sua habilidade para desenhar.

Sugestões


Dificuldades acadêmicas

Crianças com AS usualmente tem inteligência média ou acima da média (especialmente na esfera verbal) mas falham em pensamentos de alto nível e habilidades de compreensão. Tendem a ser muito literais: suas imagens são concretas, a abstração é pobre. Seu estilo pedante de falar e impressionante vocabulário dão a falsa impressão de que entendem daquilo que estão falando, quando em verdade estão meramente papagueando o que leram ou ouviram. A criança com AS freqüentemente tem excelente memória, mas isso é de natureza mecânica, ou seja, a criança pode responder como um vídeo que toca em seqüência. As habilidades de solução de problemas são fracas.

Sugestões

Vulnerabilidade emocional

Crianças com Síndrome de Asperger tem a inteligência para cursar o ensino regular, mas elas freqüentemente não tem a estrutura emocional para enfrentar as exigências de sala de aula. Essas crianças são facilmente estressadas devido à sua inflexibilidade. A auto-estima é pequena, e eles freqüentemente são muito autocríticos e inábeis para tolerar erros. Indivíduos com AS, especialmente adolescentes, podem ser inclinados à depressão (é documentada uma alta percentagem de adultos AS com depressão). Reações de raiva são comuns em resposta a stress/frustração. Crianças com AS raramente relaxam e são facilmente acabrunhados quando as coisas não são como sua forma rígida diz que devem ser. Interagir com pessoas e copiar as demandas do dia-a-dia lhes exige um esforço Hercúleo.

Sugestões

Crianças com a síndrome de Asperger são tão facilmente sobrecarregadas pelas pressões do ambiente, e tem tão profunda diferença na habilidade de formar relações interpessoais, que não é de se surpreender que causem a impressão de “frágil vulnerabilidade e infantilidade patética” (Wing, 1981, pg. 117). Everard (1976) escreveu que quando esses jovens são comparados aos colegas sem problemas “instantaneamente se nota como são diferentes e que enormes esforços tem de fazer para viver num mundo onde não se fazem concessões e onde se esperam que sejam conformes” (pg.2).

Professores podem ter significado vital em ajudar a criança com AS a aprender a negociar com o mundo ao seu redor. Uma vez que as crianças com AS são freqüentemente inábeis para expressar seus medos e ansiedades, é muito importante que adultos façam isso por eles para levá-los do mundo seguro de fantasia em que vivem para as incertezas do mundo externo. Profissionais que trabalham com esses jovens na escola fornecem estrutura externa, organização e estabilidade que lhes falta. O uso de técnicas didáticas criativas, com suporte individual para a síndrome de Asperger é crítico, não somente para facilitar o sucesso acadêmico, mas também para ajudá-los a sentir-se menos alienados de outros seres humanos e menos sobrecarregados pelas demandas do dia-a-dia.





Note
See the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (4th ed.;p.77) for diagnostic criteria.

American Psychiatric Association.(1994. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders(4th ed.) Washington, DC: Author.

Asperger, H. (1991). Autistic psychopathology in childhood. In U.Frith (Ed.), Autism and Asperger syndrome(pp.37-92). Cambridge,England: Cambridge University Press.

Dewey, M. (1991). Living with Asperger's syndrome. In U.Frith (Ed.),Autism and Asperger syndrome (pp. 184-206). Cambridge:, England: Cambridge Unviersity Press.

Everard, M.P. (1976,July).Mildly autistic young people and their problems. Paper presented at the International Symposium on Autism, St. Gallen, Switzerland.

Happe, F.G.E.(1991). The autobiographical writings of three Asperger syndrome adults: Problems of interpretation and implications for theory. In U.Frith (Ed.),Autism and Asperger Syndrome (pp.207-242). Cambridge, England: Cambridge University Press.

Sacks, O. (1993, December 27). An anthropologist on Mars. The New Yorker, 106- 125.

Wing, L. (1981). Asperger's syndrome: A clinical account. Psychological Medicine 11, 115-129.

Wing, L. (l991). The relationship between Asperger's syndrome and Kanner's autism. In U. Frith (Ed.), Autism and Asperger syndrome (pp. 93-121). Cambridge, England: Cambridge University Press.

©Karen Williams, l995


PLEASE NOTE: Karen Williams has generously allowed me to include her paper on this web site. However, her time is extremely limited and she regrets that she will unable to respond to telephone calls, e-mail or written requests. So that other families may benefit from the use of her paper, it is very important that we respect her wishes.

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